A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
Vinicius de Moraes
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
Vinicius de Moraes
Esqueçam as crianças
Carbono vaporizadas
Esqueçam as meninas
Cacos perfuradas
Esqueçam as mulheres
Mortas cremadas
Deita-se e sorri o Senhor da Guerra
Orgulha-se das batalhas vencidas
"Que valem as mortes, as feridas?
Eis o preço de ver salva nossa terra!"
Em nome de Deus e da liberdade
E da pátria, e de nada, derrota:
Toma seu sadismo por patriota;
Toma sua covardia por verdade
Esqueçam o cadáver
Membros decepados
Esqueçam as doutrinas
Códigos e éticas
Esqueçam os vencidos
Como bostas fétidas
Mas oh não se esqueçam
Da medelha da vitória
Do herói que assassina
Da tese, da História
Que o vencedor ensina
Agacha e lamenta o refugiado
Vira a imundície à cata de comida
"Que vale, meu Deus, essa minha vida?
Eis a sina do sem crime condenado!"
Sem roupa nem nome nem nada
Sem culpa nem medalha nem sustento
Toma do chão um verme por alimento
Toma o susto de mais uma granada
Esqueçam a verdade
Relato e memória
Esqueçam a tristeza
Escondida na glória
Esqueçam os mártires
Civis e inocentes
Esqueçam os feridos
Inválidos dependentes
Esqueçam o químico
A pele queimada
Esqueçam a menina
Que corria pelada
Provem mais uma vez
Que todo o sangue derramado
Derramado foi por nada.
Carbono vaporizadas
Esqueçam as meninas
Cacos perfuradas
Esqueçam as mulheres
Mortas cremadas
Deita-se e sorri o Senhor da Guerra
Orgulha-se das batalhas vencidas
"Que valem as mortes, as feridas?
Eis o preço de ver salva nossa terra!"
Em nome de Deus e da liberdade
E da pátria, e de nada, derrota:
Toma seu sadismo por patriota;
Toma sua covardia por verdade
Esqueçam o cadáver
Membros decepados
Esqueçam as doutrinas
Códigos e éticas
Esqueçam os vencidos
Como bostas fétidas
Mas oh não se esqueçam
Da medelha da vitória
Do herói que assassina
Da tese, da História
Que o vencedor ensina
Agacha e lamenta o refugiado
Vira a imundície à cata de comida
"Que vale, meu Deus, essa minha vida?
Eis a sina do sem crime condenado!"
Sem roupa nem nome nem nada
Sem culpa nem medalha nem sustento
Toma do chão um verme por alimento
Toma o susto de mais uma granada
Esqueçam a verdade
Relato e memória
Esqueçam a tristeza
Escondida na glória
Esqueçam os mártires
Civis e inocentes
Esqueçam os feridos
Inválidos dependentes
Esqueçam o químico
A pele queimada
Esqueçam a menina
Que corria pelada
Provem mais uma vez
Que todo o sangue derramado
Derramado foi por nada.